Violência, música ruim e outras coisas…

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Fala, gente bonita, beleza?

Há muito tempo, mais de dez anos para ser quase exato, eu estava com um grupo de amigos e, entre vários assuntos, falamos sobre comportamento, namoro, relações e eu disse que o meio musical interfere muito no tipo de relação que você pode ter. Por exemplo: Provavelmente (eu disse PROVAVELMENTE) em um baile funk você não consiga um bom relacionamento tanto quanto em uma exposição de um livro ou em uma peça de teatro. Provavelmente, pois o amor pode se dar nas circunstâncias mais improváveis da vida e a vida não é uma ciência exata. Mas a disposição que as pessoas estão em determinados lugares já dizem a quê elas estão dispostas naquele momento. Sei que muita gente vai me criticar por esse pensamento, talvez não os meus leitores assíduos mas outras pessoas que possam ler esse artigo. Mas vamos lá.

Vi o vídeo em que o cantor Naldo está chorando, pedindo desculpas pela agressão à esposa, dizendo que “voltou a se envolver com Deus”. Um detalhe me chamou atenção, não saiu uma lágrima sequer daquele choro. Expressões, caras e bocas, teve bastante mas, lágrima mesmo, nenhuma. Sabemos que a lágrima é o fator crucial do choro, às vezes gente tenta prender aquela lágrima, assistindo filme, aquele nó na garganta… Me desculpe, Naldo mas eu não senti nenhuma verdade em sua declaração e, se sua esposa tiver juízo, que nunca mais chegue perto de você. Agressões à mulher são um ato histórico. O homem já se sentiu oficialmente tão dono da mulher que essas agressões eram comuns, de vários tipos, moral ou física. Assim como na luta contra a desigualdade racial, acabar com a impunidade é uma realidade independente de pontos de vista ou opiniões. Não há opinião divergente sobre esses assuntos, está errado e pronto!

Ouçam a grande parte das músicas funk, dos pagodes baianos, das músicas novas sertanejas, dos arrochas. Prestem atenção em seu conteúdo. As pessoas ouvem isso dentro de casa, em volume alto, influenciando diretamente as crianças. Quando vocês passarem pela rua e verem em um “paredão”, aquelas meninas de 12 a 15 anos, ou até mais novas ainda, dançando com dois, três ou mais homens com 17, 18 ou mais velhos, muito mais velhos ainda, ao som daquelas músicas que as ofendem, lembrem-se do que eu estou querendo dizer. Quando estas mesmas meninas engravidarem com os mesmos 15, 13 ou menos idade, sem nem mesmo saber escrever direito, pensem no que estou querendo dizer. Eu vejo esses mesmos meninos assumindo compromisso prematuramente, se transformando em famílias completamente desestruturadas, pais agressivos, filhos problemáticos, escolas descontroladas, sociedade falida. A música ruim interfere e muito em nossa qualidade de vida, como coletivo.

Independente da classe econômica, a música ruim está dominando e destruindo a qualidade comportamental dos nossos jovens e crianças. E adultos também. Deve ser legal frequentar “baladas country” que segregam pessoas, escolhem e definem padrões de beleza, as pessoas ouvem músicas que incentivam o consumo de álcool, traições e uma falsa e efêmera sensação de felicidade. A catuaba, uma bebida que eu jamais ousei sujar minha boca bebendo e que sempre foi marginalizada, hoje está “na moda” e os playboys vão atrás, adestradamente a esse consumo. No underground disso tudo, vemos o preconceito, a discriminação racial e econômica e a separação do Brasil em polos que atrasam a nossa evolução em sociedade.

Um compositor cria uma canção por vários motivos. Compôr é um dom. Para ele é fácil combinar ideias, palavras e ritmos. Mas há uma armadilha aí, ou várias. Prestem atenção quando determinado artista começa a cantar várias músicas parecidas com as outras, no ritmo ou no assunto. E vários vão atrás. Reparem que, vez em quando, todas as músicas usam a palavra “Balada”, então mudam para carros. Então falam de bebida. Isso é produção em massa, que perde a qualidade. Isso é tão óbvio que só não vê quem não quer. Ouçam a banda Legião Urbana e vejam com uma música difere totalmente da outra. Essa é a diferença entre compôr por inspiração pura, pela mensagem a ser transmitida e compôr por dinheiro, não importando os efeitos nocivos que isso pode causar às pessoas. Certa vez, na TV, um desses “compositores” disse: “menos notas (musicais, ou acordes) na música é mais nota (dinheiro) no bolso”. Não é bem assim, até porque as músicas da Legião Urbana são tão simples e fáceis de tocar e são originais e lindas.

Durante um tempo eu precisei tocar músicas de péssima qualidade, em lugares onde muitas vezes saia infeliz, para ganhar dinheiro. Ainda preciso mas, hoje eu me recuso a tocar uma nota sequer que não seja para o crescimento das pessoas e não somente entretenimento. Na minha casa não toca uma música que não respeite as mulheres. Vodca ou água de côco? Prefiro respeito.

Muita paz, amor, música e que a arte permaneça sempre dentro de nós. Até a próxima, amigos viajantes.

E-mail: luizinho@diretodacidade.com.br

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