A cura… mas para qual mal?

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Após semanas digerindo a tal da proposta da “cura gay” me deparei com algumas inquietações…

Primeiro porque sou uma psicóloga e, dentre as atribuições dessa especialidade profissional está a observação do comportamento humano, levando em conta que estamos inseridos numa coletividade, por isso funcionamos a partir de fatores BIOPSICOSSOCIAIS;

Segundo porque aprendi sobre ética, NÃO devo eleger meus referenciais de moral, costumes e valores como norteadores de minha prática, pois o objeto da Psicologia é a subjetividade, responsável por assegurar o direito a INDIVIDUALIDADE de cada pessoa;

Terceiro porque esse debate já foi esgotado pelos Conselhos Regionais de Psicologia (órgão que fiscaliza e regulamenta a categoria profissional) e há consenso sobre a existência de mais de uma identidade sexual e que são manifestações NATURAIS;

            É importante que enxerguemos o real problema, e para isso é só observarmos qual grupo está em sofrimento diário, por quais razões ou ainda visitar as estatísticas nos quesitos vítimas de violência por motivo torpe e negação de direitos.

            A homofobia é uma questão que gera imensurável prejuízo à vida em sociedade, você já havia atentado para isso?

Enquanto esse tema é discutido de maneira invertida – pelo viés do conservadorismo e minorias que desejam impor uma regra do que é ‘certo e errado’ – os efeitos sobrepõem a causa dos problemas de convivência entre os grupos, os quais um luta por direitos, liberdade de expressão e representatividade; enquanto o outro propõe a supremacia, exclusão, retaliação e TRATAMENTO com o propósito de disciplinar corpos, normatizar condutas…uma espécie de produção em série. Mas peraê, estamos falando de pessoas dotadas de livre-arbítrio, ou máquinas programadas?

Dessa forma passamos a esquecer de problemas presentes os quais parecem não ter soluções, ou pelo menos não terem sido solucionados ao longo da história da humanidade, ainda que muito batido e concebida sua existência e o impacto na evolução humana, pois custam caro: o racismo, a homofobia, a desigualdade social, a pedofilia, a violência alarmante contra a mulher, a crescente e desenfreada onda de suicídio, sobretudo na parcela da população mais jovem.

Para não concluir, desejo informar que NÃO HÁ CURA PARA O QUE NÃO É DOENÇA, devemos repudiar toda forma de preconceito ou cerceamento de liberdades individuais.

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

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