E se houvesse pouco tempo?

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Fala, galera, beleza?

A Netflix é maravilhosa! Uma alternativa a mais. Lembro que, antes das possibilidades que a internet oferecia, os canais a cabo eram uma alternativa à proposta cansada e mofada dos canais abertos. Agora parece que os canais a cabo enfrentam a mesma crise, mesmo com tanto conteúdo bom sendo feito, o que impera na programação e destaque é a mesma fórmula do conteúdo plastificado da mídia. As séries da Netflix são uma alternativa de entretenimento com qualidade. Uma série que me chamou atenção foi SALVATION, especialmente uma das questões abordadas por ela.

A história é sobre a descoberta de um asteroide vindo em direção à terra e se chocará em um tempo de 184 dias. Um jovem estudante faz essa descoberta e, por isso, consegue se envolver com a NASA, o governo dos EUA e um empresário rico, que entende e desenvolve tecnologias espacias. Entre as soluções possíveis está o envio de uma das naves em órbita para atingi-lo. O que fará dividir em várias partes, ainda assim atingindo o planeta e destruindo parte da humanidade. Outra opção é a construção de um equipamento, com tecnologia recentemente feita para mudar a trajetória do asteroide, o que está gerando uma confusão na trama da série.

E Se Houvesse Pouco Tempo?

Uma terceira, desenvolvida pelo empresário, é a construção de uma “Arca de Noé” espacial, que levaria para fora do planeta apenas 160 pessoas, na tentativa de salvar a espécie humana da extinção e um possível repovoamento do planeta. A grande questão aí é: quem seriam os eleitos a salvação, em meio a bilhões de pessoas no planeta inteiro?

Esse empresário designou um grupo de estudiosos, os mais renomados das mais importantes universidades do mundo para debater sobre este questionamento. Entre eles, o empresário escolheu uma jovem artista, escritora, que publicou apenas um livro independente, de ficção científica, nada “relevante” aos companheiros.

Eles dividiram a humanidade em dois grupos básicos, essenciais e não essenciais. Segundo eles, com exceção da escritora, os artistas eram não essenciais por acharem que a arte não seja relevante á sobrevivência da raça humana. Quando ela houve sobre isso, entra em embate direto com todos em defesa da importância das artes para a humanidade.

Fico pensando bastante nessas questões, principalmente por ser artista. É o meu trabalho, único trabalho. Além de ser minha expressão com o mundo, é o que eu escolhi e o que a vida me guiou também. Talvez exista uma pessoa que não ouça nenhuma música, por não gostar de nenhuma. Mas uma coisa é realidade: a maioria da humanidade não dá valor mesmo a arte. Quantas pessoas a gente conhece que leem algum livro regularmente? Quantas conhecemos que nunca leram nenhum? Quem realmente valoriza uma peça de teatro, uma exposição de quadros, esculturas?

Recentemente, vi uma divulgação, em uma página do facebook, difamando o cantor Chico Buarque por questões políticas. O mais interessante disso tudo, além dessa polarização política em que vivemos, é o apedrejamento que se faz das pessoas, entre elas, colocar o fato dele ser um cantor, um artista (um dos mais importantes da nossa música) como sendo um inútil, como se os artistas não tivessem importância à sociedade. Como artista, fico triste com essas atitudes mas já sabemos que, pouco a pouco, o ódio está dominando esse terreno e as pessoas estão jogando esse jogo.

Relevância

“Sim!”, diz a jovem escritora, “somos essenciais sim! A Humanidade não precisa só sobreviver, ela precisa viver. E, sem arte, não há vida”. O que seria do mundo sem Mozart, Michelangelo, o Rock in Roll, Luiz Gonzaga, Bob Marley, Da Vinci? O que cada um de nós sente quando ouve aquela música especial, não tem preço. Momentos especiais que vivemos e compartilhamos, felicidade, amor, todas as emoções vividas não valem a pena para se sentir bem?

Incrível é que tanta gente vive realmente da sobrevivência e perde o sentido de bons momentos. E acha que o mundo deve sentir a mesma amargura. Mas a vida é doce, harmoniosa, melódica, rítmica e cheia de musicalidade e arte, basta cada um saber ver a beleza. Pode ser que, um dia, nos deparemos com essa possibilidade de perda e a humanidade se destrua antes mesmo de se salvar. Muita paz, amor, música e que a arte permaneça sempre dentro de nós. Até a próxima, amigos viajantes.

E-mail: luizinho@diretodacidade.com.br

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