“Negro, branco, rico, pobre, o sangue é da mesma cor. Somos todos iguais, sentimos calor, alegria e dor”.

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Foto: Cristina Gomes

A Lei Áurea não tornou a vida dos negros mais fáceis, descobrimos a cura para doenças, transformamos “veneno” em remédio, evoluções tecnológicas que variam de redes a produção de energia, mas ainda não compreendemos e aceitamos a igualdade racial ou mais que isso, a simples igualdade, compreensão que nossas características físicas, religião e orientação sexual não devem ser motivo de divisão, muito menos tratados de maneira individualizada e exclusão social.

O genocídio da população negra é um dos problemas sociais mais graves do povo brasileiro; negros estampam as capas de revistas e jornais, mortos em confrontos policiais, guerras entre facções, corpos desaparecidos misteriosamente, e, quando encontrados, sem vida e sem aparente explicação, tornou-se comum “O caso será investigado pela delegacia…”, o resultado de anos de exclusão e desigualdades enraizados e institucionalizados pré e pós-abolição estendem-se até hoje.

No Brasil, as tentativas de erradicar o preconceito racial são feitas por leis, nada eficazes, já que a própria lei usa cor da pele e condição social como argumentos, blitz policial e maior “atenção” em relação à presença de um negro dentro de estabelecimentos comerciais nos provam o quanto o preconceito é forte em nosso meio e a seguridade da população não é “tão garantida” assim, mas só a educação esclarecerá a todos sobre o que representou para a raça negra o que lhe foi imposto pelo tráfico escravista.

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É preciso políticas publicas de enfrentamento real e combate a todas as formas de preconceito, conscientização que por trás da cor de uma pele tem um corpo igual a qualquer outro, uma vida; compreender que a cor da pele não define quem somos ou seremos, o outro é meu semelhante, quer creiam na evolução humana ou criação do próprio Deus, temos o mesmo sistema, sangramos, sentimos alegria, adoecemos e morremos.

Opinião pessoal do colunista:

“O que mais me impressiona não são as leis e o descaso pelos que mais deveriam nos proteger, mas sim o ponto de partida. Se não fossemos tão indiferentes ao próximo e acreditássemos que somos juízes da vida do outro, não seriam necessários tais práticas, o que me choca é o desprezo à vida alheia por detalhes e qualquer outra coisa que seja diferente do que acreditamos ou somos. Fingimos que somos amáveis e complacentes, mas qual índice de adoção de crianças negras e brancas? Como desenhamos o filho perfeito? (a menininha branca de olhos azuis é a provável resposta) Qual primeira impressão ao ver um cabelo Black Power? Quantas vezes você foi indiferente à prática de racismo na rua? De que adianta apontar o outro ou pedir mais leis, mais justiça e igualdade quando não consigo ser sensível a história e aceitar as cotas, mesmo que estas sejam o mínimo do absurdo no que diz respeito a reparar o sofrimento dos ancestrais, mesmo que no intimo exista a certeza e mais ainda, números que provem o quanto o negro sofre no nosso país? De acordo com o Atlas da violência lançado pelo IPEA, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Entretanto, há quem diga que preconceito racial é um problema quase que inexistente. Tá sobrando frase de efeito e faltando humanidade, sensibilidade, fraternidade, amor e preservação as relações humanas e a vida do próximo.”

Foto: Cristina Gomes
Foto: Cristina Gomes

Como diria Gabriel o pensador:

“Não seja um imbecil,
Não seja um ignorante,
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?”

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