JANEIRO BRANCO: cuidar da mente é cuidar da vida!

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Falar sobre saúde mental é sempre um tabu, somado a falta de serviços disponíveis que disseminem a importância do acompanhamento psicológico para todas pessoas, em algum momento da vida, a falta de conhecimento associada a questões culturais e achismos só afastam, desmotivam, e desencorajam as pessoas de buscar ajuda especializada, diante de qualquer fenômeno ou acontecimento com carga traumática, o qual possa causar mal estar, seguido de dificuldade quanto a resolução.

A definição de saúde segundo a OMS – organização mundial de saúde, é “um estado de completo bem estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”.

Então podemos dizer que doenças surgem de dentro pra fora e de fora pra dentro. Você conhece alguém que consegue viver tranquilamente com problemas? Quantos de vocês já conseguiram correlacionar o crescimento da depressão e ansiedade com a contemporaneidade?

Nosso modo de produção (trabalho) e as tecnologias de comunicação tem nos acuado a ponto de não conseguirmos desligar, descansar ou estar bem ainda que sem sucesso amoroso e ou profissional?

É visto como normal e assim encorajada a conduta de pessoas que vivem agitadas, com acúmulo de atividades, as quais são responsáveis por retirar o tempo de lazer e descanso das pessoas e por conseguinte a interação espontânea desta nos grupos que faça parte. Isso não é bom, e pode gerar estafa, esgotamento físico, síndrome do pensamento acelerado e etc.

Você consegue viver com problemas sem se preocupar ou pensar em formas de resolvê-los?

Temas como pobreza, fome, racismo, machismo além das diversas faces da violência, podem ser disparadores do sofrimento psíquico nas pessoas, sobretudo as que são afetadas diretamente e ou que não conseguem romper com o ciclo, ver alguma saída ou apenas uma luz no fim do túnel.

Quem nunca ouviu, ou mesmo se referiu a alguém que estava em sofrimento psicológico adjetivando como fracx? Ainda que não conheçam ou queiram saber as causas, seja materializados por episódios de ansiedade generalizada, quadro depressivo, ou até mesmo por tentativa ou efetivação do suicídio.

Podemos dizer metaforicamente, que para poder julgar a caminhada do outro, é necessário usar os mesmos sapatos.

Todxs temos problemas, mas cada um reage de uma maneira, não há manuais ou formas prontas que sirvam para dar conta de solucionar demandas e ou impasses de uma coletividade efetivamente, então a forma como você superou e ou supera suas dificuldades não servem a todos, nem mesmo a quem está a sua volta. Seria muita presunção de sua parte, se colocar como a régua que mede o mundo, as pessoas e as formar que essas devem ser e agir.

É digno conceber que somos diversxs, temos qualidades complementares as pessoas que nos cercam, ou seja, algo que possuo pode faltar em outrx, e vice-versa, dessa forma conceberemos que todos somos relevantes e possuímos importância – cooperação, tal qual os órgãos quem constituem o corpo, possuem funções distintas, porém garantem o funcionamento pleno e harmonia entre os sistemas existentes: respiratório, circulatório, digestivo e etc.

A desinformação nos torna passíveis de erros, que só quando informados podemos mensurar as consequências, e nesse caso pode facilmente ser corrigido pelo exercício da empatia – capacidade exclusivamente humana de nos colocarmos no lugar do outro.
A maioria das pessoas sequer terão uma consulta durante toda a vida com um(a) psicólogx, não porque não precisem, mas porque essa ciência é elitista, feita pra o exercício de poucxs e pra o deleite de quem pode(ria) pagar…com poucas ou nenhuma informações do fazer profissional, como as pessoas menos abastadas, desprivilegiadas saberão que tem necessidade desse cuidado, se desconhecem ou não possuem qualquer acesso?

As dores físicas são conhecidas, passíveis de acordo público, e por isso possuem tratamento medicamentoso com altas chances de eficácia, ainda que possuam os efeitos colaterais previsíveis; todavia a dor metafísica, que abarca a subjetividade – um conjunto de características individuais e intrasferíveis de cada pessoa, não tem dimensão física, apesar de que quando tornada crônica atinge a dimensão física, mas não é tratada apenas com medicação.

Todas as pessoas se preocupam com a saúde bucal a prova disso é que vão ao dentista, em caráter preventivo (antecipando a investigação de futuros problemas) ou curativo (quando a dor já existe e precisa ser sanada); com a aparência estética, e aí procuram um salão de beleza, para realizar as intervenções desejáveis e cabíveis; mas dificilmente se preocupam com a saúde mental, só posso inferir que seja por não se tratar de algo que em primeira instância não impacte na aparência, pois não se trata de superfície e sim de profundidade.

Esta campanha alerta para o cuidado preventivo em saúde mental, que as pessoas em geral podem e devem buscar. A depender da estrutura da rede de saúde que o município comporte, os cidadãos poderão contar com o CAPS – centro de apoio psicossocial, órgão responsável por disponibilizar serviços que abarcam o acompanhamento psicológico para pessoas carentes ou que optem por acessar gratuitamente consultas com psicólogxs, psiquiatras e equipe multiprofissional preparada para dar esse e outros tipos de suportes.
Lembrando que o período destinado a campanha serve como um alerta, chamariz, época cheia de atividades para conscientização, disseminação de conhecimento sobre a temática, sobre equipamentos públicos disponíveis para acesso, mas durante todo o ano é aconselhável que surgindo demandas que altere o funcionamento psicológico, causando mal estar além do suportável, não hesite e busque auxílio!

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