Pai senta aqui! Precisamos conversar…

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Foto: Reprodução

Falar sobre paternidade sempre dá “pano pra mangas”, pois partimos do princípio de que há pais e pais.

Ao genitor é dada a condição de participar com certa distância corporal do processo de gestação dx(s) filhx(s), uma vez que esta ocorre envolvendo exclusivamente o corpo feminino, e portanto foi outorgada maior responsabilidade em tomar precauções para evitar a concepção ou assumir os ônus envolvidos em trazer um ser humano à Terra.
A paternidade tipificou-se, fruto da flexibilização quanto ao envolvimento dos homens em assumir o papel de pai, já que parece ser optativo desempenhá-lo. Até duas décadas atrás era muito comum nas certidões de nascimento lacuna no item referente à identifiação o genitor, todo mundo tem mãe mas poucos pais…

E o que falar do teste de DNA? Sofreu alteração no nome passando mais tarde a se chamar teste de paternidade. Creio que se deva à quantidade de solicitantes do sexo masculino, exame para verificação de parentesco entre o ‘genitor em potenial’ com supost@ filh@.
Comprometimento com o desenvolvimento pleno d@s filh@s vai além de subsidiar com recursos financeiros, passa também por estar presente na saúde, na doença e nos momentos de crise, pois nem a morte anula a relação filial. Mas vocês já repararam quem dentre as figuras de referência familiar está sempre presente nas reuniões escolares? E quem via de regra permanecem como acompanhante nos hospitais? E sobre os dias de visita nas cadeias, ou ninguém reparou que são filas compostas exclusivamente por mulheres e 70% de mães?

Falar de paternidade é também futucar questões sociais, que tange estruturas obsoletas responsáveis pela manutenção da desigualdade entre gêneros, pois há uma tensão entre homens e mulheres que antecedem o nascimento, todavia corroboram para estabelecer um cenário de violências, dentre elas a forma mais devastadora: a negligência. Quando um homem se sente no direito de se isentar da co-participação na educação e desenvolvimento na vida de uma criança sendo ele o genitor e não é punido de forma alguma, ele acessa o desejável sabor da impunidade, enquanto que à mulher é imputado o martírio de ter que se virar pois as cobranças sobre elas serão triplicadas!

“É preciso muito pouco para ser considerado um paizão. E é preciso muito pouco para ser considerada uma mãe de merda.”

Feliz dia dos pais aos pais companheiros, aos pais cúmplices, aos pais adotivos, aos pais das famílias monoparentais, mas exclusivamente às PÃES(mãe que também exerce o papel de pai)!

Torço para que estas últimas sejam cada dia mais escassas, afinal de contas sonhamos com um mundo melhor e só será possível com maior equilíbrio entre pais e mães.

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