Sobre o outubro rosa…

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O mês chegando ao fim e me veio uma lembrança…há exatamente 2 anos passei a ter mais intimidade com a campanha de prevenção do câncer de mama, estrategicamente batizada de Outubro Rosa, decorrente da frequência dessa doença em mulheres.

Minha proximidade a priori deu-se através de um convite do renomado fotógrafo Tadeu Miranda, responsável por recrutar e fotografar mulheres comuns, para um material publicitário fomentado pela organização NASPEC – núcleo assistencial para pessoas com câncer, veiculado via rede social diariamente, o qual se valia da imagem de diversas mulheres em uma posição padronizada junto a um slogan modificado anualmente. O objetivo era alertar sobre a importância do autoexame como forte aliado da descoberta da patologia em estágio inicial e, dessa maneira aumentar as chances de um tratamento com maior chance de sucesso.

Confesso que resisti, mas ele e sua distinta habilidade de persuasão, típica dos profissionais que mais se destacam, me pregou uma peça convidando para ir até o seu estúdio, e lá chegando conheci toda a atmosfera em que esse projeto foi gestado e a relevância para a sociedade. Desmitificou a conotação sexual, e tocou no meu tendão de Aquiles, ora sendo eu uma profissional da área da saúde, minoria em representatividade e engajada com educação e em movimentos sociais, possuía e possuo um enorme potencial de influenciar a outras, então eu não devia me abster da responsabilidade e corresponsabilidade.

Desde então comecei a me mobilizar quanto aos dados que compõem esse recorte em termos epidemiológicos: quais as características do público mais acometido dessa moléstia? Pobre ou abastada? Com maior ou menor acesso aos serviços médicos de média e alta complexidade? Qual o nível de escolaridade?

Aí a pessoa que lê deve pensar: para que essas informações todas? Estar doente já é um problema e pronto! Mas aí é que está…porque estamos falando de uma doença que acomete um número significativo da população, e sabendo que 60% da população só acessa saúde via hospitais públicos, os quais dependem de recursos públicos e esses recursos tem que ser priorizados, e isso é feito pelo poder público (gestores, legisladores e sociedade civil organizada).

Tanta informação por uma bobagem de campanha que fica tudo na cor rosa, e gente que não está nem aí pra nada, tampouco para xs usuárixs dos serviços públicos de saúde se promover…não queridxs! Também pode ter xs oportunistas de plantão, mas é uma data para dar uma atenção intensiva, com disponibilidade de informações e serviços que auxiliem não só a pessoa, como familiares e sociedade em geral.

Faço um apelo a todxs que se engajem nas reuniões, audiências públicas, prestação de contas pois são nesses espaços que são tomadas as decisões que influenciarão na vida de todxs, e lembre-se que os representantes do povo, há muito  já não se reconhecem como tais, a democracia possui pilares e um deles é a participação, que a sua esteja atuante e atenta!

Durante todo o ano é possível fazer os exames diagnósticos e os tratamentos, todavia a existência de um calendário é uma forma de visibilizar essa pauta, além de  ampliar a viabilidade gerando  incentivo e encorajamento.

A maior prevenção continua sendo a informação. Mulheres se toquem e dê um toque às outras, porque câncer é coisa séria e pode matar!

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