Dudu Bolsonaro, a prole prodígio, criminaliza o pensamento. Ou: Liberal de Taubaté!

0
(Foto: Reprodução)

Ai ai, do lado de cá do mundo as coisas parecem estar tão desajustadas quanto no resto do mundo. Bom, a política é paramétrica. Temos parâmetros para nossas decisões que influenciam publicamente. Eu, particularmente, balizo a política em valores, normas e consequências, sempre atentando ao Estado Democrático de Direito. Alguns outros, horizontam suas visões pelo caráter histriônico de alguns populistas populares.
Por que essa introdução? Dudu Bolsonaro, a prole prodígio, propõe a criminalização da “apologia ao comunismo”. Em suma, o pensamento agora é crime.

ENTENDENDO A LEI

O projeto altera a Lei Antirracismo (7.716/89) para incluir entre os crimes ali previstos o de “fomento ao embate de classes sociais”. A pena prevista é reclusão de um a três anos e multa.

Além disso, quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos ou propaganda que utilizem a foice e o martelo ou quaisquer outros meios de divulgação favorável ao comunismo poderá ser punido com reclusão de dois a cinco anos e multa, pena atualmente aplicada para a apologia ao nazismo.

A proposição altera ainda a Lei Antiterrorismo (13.260/16) para incluir o “fomento ao embate de classes sociais” como ato terrorista quando cometido com a finalidade de provocar terror social ou generalizado.

Quem fizer apologia a pessoas que praticaram atos terroristas ou a regimes comunistas será punido com pena correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.

Em seus argumentos, o deputado afirma que “[…] os regimes comunistas mataram mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo e implantaram a censura à imprensa, a opiniões e a religiões. Mesmo assim, agremiações de diversas matizes defendem esse nefasto regime, mascarando as reais faces do terror em ideais de igualdade entre as classes sociais.”

RETOMO

Começo então do final.
Em sua estreita concepção moral sobre a vida, a morte tem significado pior ao passo que acumula mais adeptos, independente de como a conta seja feita. Este cálculo matemágico, pois matemática não é, é macaqueado dos números apresentados no “Livro Negro do Comunismo”, um catatau enorme, que li e percebi, como já denunciado por vários outros, inconsistências históricas, lógicas e matemáticas. Nestes 100 milhões também estão contabilizados aqueles que são invisíveis quando a matéria é sobre capitalismo. Até os que morreram de frio na Rússia estão no meio dos 100 milhões de pessoas mortas pelo comunismo!

Mas, não só isso!! A diferença básica entre Nazismo e Comunismo se dá no próprio bojo teórico que concede alimento à prática. Enquanto o Nazismo se estrutura numa concepção de superioridade racial, o Comunismo exige a radicalização da igualdade, o fim da exploração do homem pelo homem.

O amplo conceito de “totalitarismo” se tornou uma estratégia burguesa para poder criminalizar toda e qualquer teoria que reinvindica para si a soberania popular.
Adiante, fica a dúvida: em nome das liberdades vale abrir mão do direito ao livre-pensamento?
É uma medida típica de Estados autoritários como são hoje a Hungria e a Ucrânia. Estados filofascistas.
Vale lembrar que, após a criminalização da “apologia ao comunismo”, a Hungria iniciou uma cruzada contra o pensamento crítico, até mesmo devastando a biblioteca em homenagem ao literato húngaro Gyórg Lukáks.

Duduzinho Bolsonaro refletiu em seu labirinto mental que são os malvados comunistas quem criam as divisões de classes. Sem eles o mundo chegaria ao horizonte pretendido pelos comunistas com a abolição das classes.

Fica por óbvio que ele não leu uma linha sequer da teoria marxista. A “luta de classes” não é uma disposição tangível, que pode ser fomentada com propósito político. Ela é mais reflexo da infraestrutura que espelho da superestrutura.
A ignorância deste rapaz o faz achar que a luta de classes é um objeto de manipulação material.

CAÇA ÀS BRUXAS DEIXAM CICATRIZES

O justo repúdio ao nazismo acarretou numa marginalização quase que criminosa da filosofia Heideggeriana. Hoje temos uma geração que inicia e termina o ensino superior sem saber quem é Heidegger.
Como resultado temos críticas mal acabadas acerca do neofascismo e do Islamofascismo.
Vale até a pena, futuramente, eu trazer uma série de textos sobre estas duas categorias da ciência política a luz do pensamento Heideggeriano.

Assim como os regimes filofascistas do leste europeu caçam pensadores e pensamentos com força de lei, o Brasil caminha na contramão da liberdade de expressão e escolha.
Crê-se, então, que o certo é aquilo que escolhemos e o errado não tem nem direito de ser escolhido.

Por fim, não deixa de ser misericordioso esse tiro com bala de prata no peito dos pretensos liberais brasileiros. São estes parlamentares, de uma família alimentada pelas tetas do Estado brasileiro, que fornecem substrato prático para grupos que já tem seus deformadores teóricos.
A proposta de Eduardo Bolsonaro é típica de um irresponsável de baixo clero que pretende se tornar grande extinguindo seus adversários, não por meio do debate, mas da intervenção estatal.

São os verdadeiros liberais de Taubaté!

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA